Hoje, conheci um lugar novo. Depois de alguns anos morando aqui, fui parar numa Chinatown de verdade; nem se compara àquela da cidade, onde se vê mais turistas que orientais.
Parecia que estava mesmo em outro continente. Tudo bem que não fiquei por lá tanto tempo assim mas, entre tantas fachadas, cartazes, toldos em escrita estranha, vi uma única mulata, quatro hispanos, duas brancas, três muçulmanas e, latinas, eu e a amiga que me acompanhava; os demais, todos de olhos puxados.
Enquanto a loja que queríamos não abria, entramos em uma livraria onde, exceto por um mapa de NY, não fui capaz de ler uma palavra, mas gosto de pensar que tenha reconhecido alguns livros pela ilustração da capa. O casal de vendedores falava alto, um de cada lado da loja, e eu tenho quase certeza que eles se perguntavam o que aquelas duas loucas faziam ali tão cedo.
Desistimos de tentar entender aquilo tudo e fomos ao Supermercado Hong Kong, cheio de muitas coisinhas que, embora muito bonitinhas, não tive coragem de comprar. Só descobri em casa se os biscoitinhos que comprei eram salgados ou doces. Vi que um conjunto de 10 hashis de boa qualidade, não aquela coisinha que a gente quebra nos restaurantes, custa 3,95 dólares. Também encontrei um infusor que eu, chiquérrima, tinha comprado na Feira do Paraguai, em Brasília - que tal? Finalmente, às dez horas, a loja que nos fez viajar até ali abriu e pudemos comprar a importante mercadoria: borrachinhas de bichinhos, canetinhas, coisinhas da Hello Kitty e cacarecos afins.
Quem quiser passear no Oriente deve pegar a linha 7 do metrô e seguir até a última estação, no Flushing..
A primeira vez que ouvi falar em Flushing foi assistindo ao seriado “The Nanny”, ainda no Brasil. A letra da abertura dizia que ela era uma ”flashy girl from Flushing.
Quando me indicaram este lugar pra encontrar os importantíssimos produtos que procurava, na loja de orientais, estranhei, porque tinha a idéia de que fosse um lugar de grande concentração de judeus.
Numa pesquisa rápida, li que o “Flushing talvez seja o caso mais extremo de pluralismo religioso no mundo. Em sua área residencial e comercial (...) existem 6 templos hindus, 2 Sikh, várias mesquitas, templos budistas japoneses, chineses e coreanos, um templo taoísta, mais de 100 igrejas coreanas, igrejas evangélicas latinas, praticantes de Falun Gong, Testemunhas de Jeová, Mormons e algumas das mais antigas igrejas e sinagogas da cidade – ao todo, mais de 200 locais de devoção densamente concentrados numa vizinhança muito populosa e movimentada”.*
* tradução mais que livre. Texto original: ”The Pluralism Project”

Lu, eu fiquei no Flushing no ano passado na casa de uns amigos. E o engraçado é que meu marido também me falou que era o lugar de onde tinha vindo a Nanny. Mas infelizmente não fui nesse local onde só tem orientais não.
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