A TimeOut desta semana é edição especial sobre os seres novaiorquinos. Todas aquelas coisas fofinhas – esquilinhos, gatinhos, cachorrinhos – e também os ratos, camundongos, baratas, percevejos e outras tantas criaturas não-humanas que habitam a cidade, ou pior, a sua casa.
Numa das páginas, a imagem de uma barata, daquelas pequenas, instalada no canal do ouvido de algum azarado e o médico sugerindo que se durma com algodão para evitar a entrada de insetos. Melhor seria evitar a entrada de insetos nas casas, mas o pessoal por aqui não se liga muito em fechar frestas.
Lembra daquela música que falava da pulga e do percevejo fazendo festa no colchão? Pois pode aprender pra cantar por aqui: a população de bedbugs , os percevejos, está crescendo. Não tem muito tempo, uma estudante, que morava num alojamento da faculdade, apareceu toda emperebada na tv, depois de uma reação alérgica às picadas.
Houve, ano passado, uma serie de reportagens ensinando a reconhecer o inseto, que não transmite doença mas incomoda e é de difícil extermínio. Não custa dar uma olhadinha no colchão do hotel.
Mas o que eu acho mais chocante para nós, brasileiros limpinhos viciados em Pinho Sol, é a possibilidade de ter um camundongo andando pela casa. Dizem que quem nunca teve um, muito provavelmente, é porque nunca viu. Eles podem se alojar dentro das paredes, ocas, morrer por ali mesmo e ninguém perceber. Li uma vez sobre um cara que arrebentou toda a parede de sua sala para tentar identificar de onde vinha um mal cheiro e não deu outra: dois camundongos mortos!
Uma agente de turismo me contou certa vez que um de seus clientes acordou, num hotel que a brasileirada adora freqüentar, com o barulho do rato roendo o chocolate que havia deixado no criado-mudo. Aliás, a revista recomenda que não se coma na cama, porque os bichos sobem mesmo.
A revista conta um dia na vida de dois novaiorquinos que você ama odiar, um rato e um pombo, chamados “Rosie” e “the Donald”, referência mais que direta a Rosie O’Donnell e Donald Trump.
Na matéria sobre the Donald, aprendemos que a população de ratos é de 250 mil a 96 milhões, dependendo a quem se pergunte. Em cada ninhada nascem de seis a nove ratinhos e são seis a oito por ano; não precisa nem fazer a conta pra saber que é rato demais.
Eles comem o equivalente a um terço de seu peso a cada 24 horas e, com fome, podem comer sabão ou mesmo furar uma lata. Adoram morder fios elétricos e estima-se que um quarto dos incêndios de causa não identificada tenha sido causado pelo amor que têm pelos fios. Os dentes do rato marrom, mais comum na cidade, podem ser comparados a aço, sendo mais fortes que alumínio, cobre, chumbo e ferro; eles mastiguam até concreto.
Diz um especialista que os ratos fazem se.x0 até 20 vezes por dia e, em colônias só de machos, não tem nenhum problema, a estatística é a mesma.
Nada de preconceito.
Esta é uma tradução e adaptação bem livre de uma historinha real que está publicada nesta mesma revista:
“Uns anos atrás meu amigo Paul morava num apartamento no Lower East Side com seu cachorro Buster, um pequeno terrier (raça desenvolvida para caçar ratos). Durante anos, Buster pegou vários camundongos, uma porção de baratas e, ocasionalmente, um rato. Numa noite, Paul foi acordado por um barulho no banheiro. Ele se sentou na cama e olhou para Buster que já estava bem acordado e de pelos em pé. Ambos foram ver o que era. Buster já estava bem agitado; Paul o segurou e deu uma olhadinha no banheiro. Só viu água no assento do vaso sanitário e em volta, no chão. Mal sinal.
Então, atrás do vaso, Paul viu o rabo molhado de um rato do tamanho de um gato. Buster também o viu (ou cheirou) e ficou louco pra pegá-lo. Paul ficou pensando em que fazer: Chamar um exterminador? Voltar pra cama? Pegar um taco de baseball? O rato era enorme, estava ensopado com água da privada e era de dar medo. Paul olhou pro rato e pro cachorro, louco pra pegá-lo. De novo pro rato; e pro cachorro. Encolheu os ombros, deixou o cachorro entrar e fechou a porta do banheiro.
Barulho de gritos e pancadas ecoavam pelo apartamento – ele podia quase ver os dois rolando numa nuvem de fumaça, com estrelinhas pipocando como nos desenhos do Looney Tunes. Depois de cinco minutos, o barulho acalmou e Paul abriu a porta. Viu um rato ferido e um cachorro ofegante. Fechou a porta. Mais cinco minutos de barulheira e, então, o silêncio. Devagar, abriu a porta.
As paredes estava cobertas de sangue: no chão, na banheira, nas toalhas, tudo. O rato morto e o cachorro pulando, celebrando a vitória na batalha da sua vida. Por muitos dias, Buster foi o cachorro mais orgulhoso do Lower East Side. E depois de ter limpado litros de sangue de rato, Paul era o ser mais traumatizado.”

Escrever outro comentário